Perfil do país: Luxemburgo
11 de Maio de 2026

Entrevista com Julián Calero, Diretor Desportivo do Real Oviedo

Na Associação Ibero-Americana de Treinadores de Futebol (AITF), temos o orgulho de apresentar o novo Diretor Desportivo do Real Oviedo: Julián Calero. Nesta ocasião, depois das felicitações pelo novo cargo, centrámo-nos em colocar-lhe algumas questões sobre diferentes aspetos da globalização e da internacionalização na prática profissional.

AITF: ⁠Olá, Julián. É um prazer contar consigo para esta entrevista no website da AITF. Para começar, e com base na sua experiência no futebol profissional, que valor acrescenta hoje a existência de redes internacionais de treinadores, como a AITF, na transferência de conhecimento e no desenvolvimento de metodologias de trabalho?

 

JC: “As redes internacionais de treinadores, como a AITF, são muito importantes porque promovem o desenvolvimento das metodologias de trabalho e o conhecimento do que se faz tanto no teu próprio país como noutros, onde podes implementar um modelo ou uma ideia.

É muito importante contar com o apoio e com a capacidade de saber que estás a fazer o correto. Cada país e cada contexto têm uma cultura e uma idiossincrasia muito próprias, pelo que é fundamental sentirmo-nos apoiados e termos a possibilidade de acertar mais nas nossas decisões.”

 

AITF: ⁠Num futebol cada vez mais globalizado, de que forma influencia a troca internacional de experiências e de modelos de jogo a evolução das equipas e dos próprios treinadores?

JC: “É importante incorporar ao projeto uma visão internacional. Especialmente a partir da direção desportiva, hoje em dia é necessário controlar não apenas o teu mercado, mas também um mercado alternativo que te dê possibilidades de encontrar, no estrangeiro, jogadores ou peças que, por vezes, é complicado encontrar no mercado nacional. Por isso, é necessário tomar decisões com o maior número possível de variáveis. E a variável internacional é muito importante para nós. Aliás, incorporámos uma pessoa que vai trabalhar especificamente o mercado internacional, porque a evolução do futebol obriga a ter tudo isso sob controlo.

 

AITF: ⁠Na construção de uma equipa técnica, que valor acrescentado trazem perfis com experiência internacional ou com conhecimento de outras culturas futebolísticas?

JC: “Quando se constrói uma equipa técnica, a experiência internacional proporciona uma perspetiva diferente. Facilita também o domínio de outros idiomas, o que ajuda a comunicar com jogadores de diferentes nacionalidades e a transmitir-lhes com clareza a mensagem que queremos passar. É importante contar com pessoas que tenham experiência internacional. No meu caso, estive em três países diferentes, com culturas distintas, e tudo isso me proporcionou experiências muito valiosas que enriquecem o trabalho diário nos balneários

 

AITF: ⁠Num contexto de crescente mobilidade de jogadores e treinadores, como gere a adaptação de diferentes culturas futebolísticas dentro do mesmo balneário?

JC: “A adaptação de diferentes culturas dentro do mesmo balneário não é simples; é um dos grandes desafios do futebol atual. Deve existir um núcleo com identidade própria, mas também é muito importante integrar diferentes nacionalidades. Hoje em dia é habitual conviver com três ou quatro nacionalidades na mesma equipa e é preciso saber geri-las. A experiência noutras culturas, o conhecimento de outros idiomas e a compreensão de diferentes contextos facilitam a adaptação dos jogadores e permitem que rendam mais cedo e melhor no seu novo ambiente.

 

AITF: De acordo com o seu percurso, que aprendizagens ou influências internacionais marcaram mais a sua forma de entender o jogo e a gestão de equipas?

JC: “Estive na Rússia, nos Emirados Árabes Unidos e em Portugal, em contextos muito diferentes e com culturas claramente distintas. Nos Emirados aprendi a importância de compreender a influência da religião e de adaptar a forma de trabalhar respeitando essa realidade, ao mesmo tempo que aprendemos com ela. Em Portugal, numa competição como a Liga dos Campeões, ao serviço do FC Porto, também adquiri muitas aprendizagens. Somos a consequência das nossas experiências e, acima de tudo, aprendemos a gerir grupos. Os treinadores são gestores de pessoas e estas vivências em diferentes países fazem com que sejamos capazes de enfrentar melhor qualquer situação.

 

AITF: Finalmente, para os treinadores que fazem parte ou acompanham a AITF, qual é hoje a importância de se abrirem a experiências internacionais e que passos recomendaria para integrar essa abordagem no seu desenvolvimento profissional?

JC: “Abrir-se a experiências internacionais é fundamental porque alarga a perspetiva. Todos acreditamos que o nosso país faz as coisas da melhor forma, mas há sempre aspetos que podemos aprender e melhorar. As experiências internacionais permitem valorizar aquilo que temos e, ao mesmo tempo, descobrir novas formas de trabalhar. Isso faz com que o teu desenvolvimento profissional seja muito maior e que regressemos como treinadores mais completos. Além disso, contar com o aconselhamento e o apoio da AITF representa uma mais-valia para qualquer treinador.

 


A AITF trabalha para criar ligações entre treinadores de todo o mundo, oferecendo oportunidades de crescimento e desenvolvimento em mercados internacionais. Se és treinador de futebol e pretendes desenvolver a tua carreira ou partilhar as tuas experiências, convidamos-te a juntar-te à nossa comunidade.

Torna-te membro da AITF e faz parte de uma rede global que apoia e potencia o talento dos treinadores de futebol!

ASSOCIA-TE AQUI